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Portugal: Igreja e Torre dos Clérigos (Porto)




Das obras do arquitecto toscano Nicolau Nasoni no Norte de Portugal, a igreja e torre dos Clérigos é, não apenas a sua obra documentada mais antiga, mas também aquela que maior projecção conheceu. A documentação que resistiu permite-nos acompanhar o andamento dos trabalhos, que tiveram início em 1732, ou seja, no ano seguinte à aprovação do plano de Nasoni pela Irmandade dos Clérigos. Esta existia desde 1707, com sede na Igreja da Misericórdia, resultando da fusão de três confrarias1. Nesse ano era presidente o deão Jerónimo de Távora e Noronha, protector de Nasoni, o que terá favorecido a escolha deste arquitecto. Como responsáveis pela obra encontramos António Pereira (responsável pelo traçado de São João Novo), o entalhador Miguel Francisco da Silva e, já na última fase, Manuel António de Sousa.

As obras da igreja foram bastante demoradas. Em 1745 foi necessário proceder a uma vistoria dos alicerces da fachada, destruindo-se o que existia para se levantar de novo com bases seguras. Por este facto, o templo estaria totalmente concluído somente em data próxima a 1750, muito embora a escadaria de acesso ao portal principal remonte aos anos de 1750-53/1754 (e posteriormente alterada em 1827).

Se na fachada observamos uma composição cenográfica, que se desenvolve na vertical e tira partido de um amplo leque de elementos decorativos de cariz tardo-barrocos, o espaço interior é marcado pelo desenho elíptico da sua planta. Por sua vez, a galeria que percorre a nave, de origem toscana, é uma novidade na arquitectura do Norte, razão pela qual foi utilizada como modelo em muitas das igrejas construídas posteriormente2. A monumentalidade do espaço interno acentua-se através do retábulo marmóreo (colorido) da capela-mor, executado entre 1767 e 1780 pelo arquitecto Manuel dos Santos Porto. As representações das virtudes da Virgem enquadram-se na iconografia da igreja, dedicada desde a fundação a Nossa Senhora da Assunção. Por sua vez, o projecto da torre e da Casa dos Clérigos é mais tardio, tendo sido aprovado em 1754. A enfermaria e a secretaria, atrás da igreja, estavam concluídas em 1759, e a Torre, com os seus 240 degraus e 75 metros de altura, foi terminada entre 1757 e 1763, constituindo a “síntese do estilo de Nasoni”, onde os valores estruturais imperam sobre os decorativos, que se vão intensificando à medida que nos aproximamos do topo da torre3. As semelhanças entre esta obra máxima do arquitecto toscano e a Torre Nueva da Sé aragonesa de Zaragoza, da autoria de Gian Bautista Contini (1641-1722), são evidentes ao nível da configuração e da linguagem barroco-romana. Ainda que Nicolau Nasoni possa não ter conhecido esta obra, a proximidade entre ambas “trai o domínio das mesmas fontes do classicismo romano de Seiscentos”

Fonte 7 Maravilhas de Portugal

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